
Radicado
no Brasil há muitos anos, o norte-americano Matthew Shirts
conquista os leitores com suas crônicas publicadas regularmente
no jornal
O Estado de S. Paulo. Redator-chefe da revista
National Geographic Brasil e coordenador editorial
do Planeta Sustentável, projeto editorial que reúne 36 títulos
da Editora Abril e um site próprio, o jornalista vai lançar,
ainda neste ano, seu primeiro livro de crônicas,
O jeitinho
americano.
Formado em Estudos Latino-Americanos na Universidade da Califórnia,
em Berkeley, e em História na Universidade de São Paulo, com
pós-graduação na Universidade de Stanford, Matthew afirma
que lê desde pequeno. "Eu adorava gibis e romances policiais
para jovens. Minha adolescência foi marcada por
O
apanhador no campo de centeio, de
J.
D. Salinger, depois
On
the Road - Pé na estrada, de
Jack
Kerouac, muito por
Medo
e delírio em Las Vegas e outros livros de
Hunter
Thompson, sem falar em
Tom
Wolfe, de quem acredito ter lido todos os títulos. Acho
Os
eleitos, dele, a melhor obra de jornalismo de todos os
tempos. Depois fui estudar História e peguei gosto pelos historiadores".
Matthew Shirts gosta de indicar bons livros e selecionou alguns
para os leitores da
Revista Platero:
Pornopopéia,
de
Reinaldo
Moraes - uma espécie de policial, é o melhor romance brasileiro
dos últimos anos, quiçá uma obra-prima, dedicado a assuntos
de baixo calão, como orgias e drogas.
História
do Brasil com empreendedores, de
Jorge
Caldeira - um livro revolucionário, que coloca toda a
história colonial do Brasil de cabeça para baixo. Faz mais
sentido, para mim, do que as versões tão coladas em
Caio
Prado Jr.
Cabeza
de Vaca, de
Paulo
Markun - é uma excelente biografia de um dos personagens
mais fascinantes do século 16. Cabeza de Vaca foi o primeiro
governador de Santa Catarina e atravessou os Estados Unidos
a pé.
Markun fez um levantamento extenso, certamente
a obra mais completa sobre o explorador.
Veneno
remédio, de
José
Miguel Wisnik - através da história do futebol, chega-se
a uma nova interpretação da história do país. É a interpretação
mais genial da cultura brasileira em décadas.
A
dança dos deuses, de
Hilário
Franco Júnior - traz uma quantidade de informações nunca
antes vista sobre a história do futebol.
Um
enigma chamado Brasil, de
Lilia
Moritz Schwarcz e vários autores - reúne ótimos resumos
dos grandes ensaístas brasileiros.
Grandes Imagens da National Geographic, vários
autores - apresenta, num livro lindo, 490 imagens de tirar
o fôlego.
1491:
New revelations of the Americas before Columbus, de
Charles
C. Mann (também disponível em português:
1491:
Novas revelações das Américas antes de Colombo) - abre
uma nova perspectiva sobre a rica e diversificada história
pré-colombiana das Américas. Relata o que acontecia, muito
mais do que se supõe, antes da chegada dos europeus.
Série
Millennium:
Os
homens que não amavam as mulheres,
A
menina que brincava com fogo e
A
rainha do castelo de ar, de
Steig
Larsson - vicia loucamente ao inventar um dos personagens
mais originais da literatura policial recente: Lizabeth Salander.
Schifaizfavoire:
Dicionário de Português, de
Mario
Prata - muito engraçado, mostra a diferença entre o português
falado no Brasil e em Portugal. É um dos meus livros favoritos.
Uma
longa e estranha viagem, de
Tony
Horwitz - o autor lança mão de uma técnica bacana para
revisitar os Estados Unidos do século 16. Refaz, de carro,
as viagens dos exploradores, misturando as histórias do presente
com as do passado. Chega à conclusão que os Estados Unidos
foram explorados mais por espanhóis do que por ingleses.